sexta-feira, 9 de março de 2012

Novidades para o novo congresso da Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar


O Congresso que será realizado a partir de março na Turquia é o mais importante evento científico na área do Transtorno Bipolar. Neste evento, a pesquisa mais recente na área será discutida com experts do mundo inteiro, disseminando os avanços encontrados.
Um dos principais desafios no tratamento dessa doença é o desenvolvimento de tratamentos que controlem ao máximo tanto os sintomas de depressão, (como a tristeza, o desânimo, a negatividade na maneira de ver a vida e as alterações do sono, apetite, libido) quanto os sintomas de mania (como euforia, irritabilidade, grandiosidade, excesso de auto-estima e auto-confiança, impulsividade e aumento da energia e do nível de atividade).
O que nem todo mundo sabe, é que, se não for adequadamente tratada, esta doença pode ser progressiva. Cada episódio de mania ou de depressão é "tóxico" para o cérebro, liberando várias substâncias nocivas para o funcionamento dos neurônios (como a dopamina, o glutamato, os radicais livres e as substâncias envolvidas na inflamação). Além disso, substâncias que mantém a resistência e o funcionamento dos neurônios (chamadas de neurotrofinas). Isto pode fazer com que o portador de Transtorno Bipolar, com o tempo, passe a ter problemas de memória, atenção e raciocínio e a ter mais dificuldade de desempenhar suas tarefas do cotidiano. O que está sendo proposto recentemente, e que será alvo de discussão nesse congresso, é a idéia de que esta progressão pode ser usada para classificar o quadro clínico apresentado pelos portadores de TB nesses estágios. Classificações desse tipo são rotina em doenças como câncer e insuficiência cardíaca. No futuro é possível que possamos ter um sistema semelhante e que possamos ter medicamentos específicos para cada fase da doença.

sábado, 3 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher (e da Saúde da Mulher)

No dia 8 de março comemoramos o dia internacional da mulher. As conquistas no trabalho e no papel da mulher na sociedade nos levam a refletir também sobre como a mulher pode ser bem sucedida, mas também feliz emocionalmente. Um dos grandes vilões do bem-estar emocional da mulher são os transtornos do humor, especialmente a depressão. Além da depressão ser mais comum nas mulheres do que nos homens, quadros específicos como a depressão pós-parto e a depressão na menopausa dificultam ainda mais fases da vida já difíceis.
O maior conhecimento sobre a maior vulnerabilidade da mulher à depressão é crucial para que a doença seja prontamente reconhecida e tratada. Este conhecimento deve ser levado a todos os profissionais envolvidos no atendimento dessas mulheres, como ginecologistas, pediatras, enfermeiros, psicólogos, mas à sociedade como um todo. Mães, pais, filhos e amigos que estejam cientes dos sintomas da depressão e conhecendo as possibilidades de tratamento podem ajudar muito às mulheres que sofrem de depressão.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Palestra no Congresso Brasileiro de Psiquiatria

Logo mais às 9 horas do dia 05/11/2011 estarei no Riocentro para participar de uma apresentação no Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Vou apresentar os estudos que desenvolvi durante o meu doutorado em uma palestra chamada "O Transtorno Bipolar e a Inflamação". Nos estudos que fizemos, descobrimos que, durante os episódios de humor, especialmente os episódios de mania (euforia), há a liberação de várias substâncias tóxicas para os neurônios. As lesões celulares ou o mal funcionamento celular gerado por essas substâncias faz com que o organismo reaja, ativando as células de defesa do sistema imune, especialmente um tipo de reação imunológica chamada de inflamação. A inflamação é, para o organismo, uma faca de dois gumes. Por um lado ela protege os tecidos, isola os agentes agressores e facilita a regeneração. Por outro, especialmente quando a reação inflamatória é muito intensa ou muito duradoura, ela mesma acentua as alterações neuronais relacionadas aos episódios. A nossa descoberta mostrou que os indivíduos com transtorno bipolar tem uma ativação maior do sistema inflamatório do que pessoas sem a doença. A elucidação de como esses mecanismos inflamatórios se processam no transtorno bipolar podem nos dar pistas sobre as causas dessa doença. Além disso, ela abre caminho para o estudo de medicamentos anti-inflamatórios em combinação com o tratamento convencional no transtorno bipolar.
Estou ansiosa para discutir esse assunto com os psiquiatras lá presentes, pois, caso outros estudos confirmem nossos achados, é possível que estejamos frente a uma nova possibilidade de tratamento para esta doença.
Um abraço e até lá!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Lula e o Câncer de Laringe

Na última semana foi confirmado o diagnóstico de câncer de laringe do Ex-presidente Lula. O câncer de Lula é um dos mais frequentes no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 10 mil casos da doença são diagnosticados por ano no Brasil. Entre as causas do câncer de laringe estão o cigarro e o consumo de álcool. O cigarro aumenta o risco de câncer em cerca de 10 vezes, e, se além de fumar a pessoa consumir álcool, este risco é elevado para 43 vezes o risco da população em geral.
Ter uma pessoa conhecida vítima de uma doença relacionada ao cigarro faz com que muitos pensem em parar. Parar de fumar em geral não é fácil. É necessário força de vontade, algumas técnicas e, muitas vezes, ajuda medicamentosa.
O grande medo do fumante é o desenvolvimento de sintomas da falta do cigarro, também conhecidos como síndrome de abstinência. Os sintomas mais comuns são ansiedade, irritabilidade, dor de cabeça, tonturas, dificuldades de concentração, aumento do apetite e vontade de fumar. Estes sintomas em geral tem uma intensidade máxima após 2 a 3 dias sem fumar, duram cerca de uma semana e depois vão gradativamente desaparecendo. Como os sintomas são decorrentes da falta de nicotina no organismo, quando a pessoa fuma e  a nicotina atinge novamente o cérebro, esses sintomas são aliviados. Por causa disso, frequentemente fumantes referem que a nicotina os "acalma". Na verdade, a nicotina está é aliviando a sensação da abstinência.
Os remédios desenvolvidos para parar de fumar tem dois princípios principais. O primeiro deles é repor nicotina de forma contínua e progressivamente menor, para que a pessoa não tenha sintomas da queda brusca dos níveis de nicotina. Este é o caso do adesivos ou chicletes de nicotina. O segundo tipo de medicação são os antidepressivos, especialmente alguns tipos com ação nos receptores de dopamina (como a bupropiona). Estas medicações regulam os níveis desse neurotransmissor em uma região do cérebro ativada pela nicotina, diminuindo a vontade de fumar.
Embora seja possível parar de fumar sem medicamentos, estudos que compararam as duas possibilidades (com e sem medicamentos) dão conta de que as pessoas que usam medicação tem maior chance de conseguir a abstinência. E, é sempre melhor tomar uma medicação para parar de fumar do que ter que receber medicamentos para tratar as complicações tardias do cigarro, como o câncer.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Custo da Doença Mental

Nesta semana, o diretor do mais importante centro de financiamento à pesquisa em psiquiatria, o National Institute of Mental Health, dos Estados Unidos, Thomas Insel publicou um artigo sobre o custo da doença mental no mundo. Segundo ele, as doenças psiquiátricas custam cerca de 56,5 bilhões de dólares todos os anos naquele país, o equivalente aos gastos com todos os tipos de câncer. Ao contrário do câncer, a doença psiquiátrica tem muitos custos indiretos, como a perda de emprego e renda, gerada pela incapacidade para o estudo e para o trabalho causadas pelas doenças.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) já havia alertado há vários anos que as doenças psiquiátricas são a principal causa de incapacitação no mundo, quando esta incapacitação leva em conta os anos que o indivíduo precisará viver com a doença.
Thomas Insel argumenta, em seu artigo, que o que faz esses números serem tão importantes não é apenas a sua magnitude, mas a possibilidade que eles possam ser reduzidos, como que ele chamou de "os melhores gastos em saúde mental", intervenções de baixo custo e alto impacto na saúde. Entre estes estaria, por exemplo, a redução do uso de cigarro e álcool, que teria um grande impacto potencial nos custos das doenças não-transmissíveis.
Assim, o tratamento das doenças psiquiátricas segue sendo caro, mas não tratar ou não tratar adequadamente pode ser ainda mais caro, por todos os custos associados à perda do potencial produtivo do indivíduo. Para os interessados em ler o artigo de Thomas Insel na íntegra este é o link http://www.nimh.nih.gov/about/director/2011/the-global-cost-of-mental-illness.shtml
O que é o transtorno do pânico?

O transtorno do pânico, também conhecido popularmente como síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade. Esta condição bastante comum se caracteriza pela ocorrência de ataques de ansiedade intensa que ocorrem sem um motivo aparente, onde, além de intensa sensação de medo ou ansiedade, o indivíduo apresenta diversos sintomas físicos, como falta de ar, suores, sensação de frio ou calor, cólicas abdominais, vontade de urinar, taquicardia. Algumas vezes a pessoa pode ter a sensação de estar "fora de si" (chamada pelos médicos de despersonalização) ou de "estar fora da realidade" (chamada de desrealização) ou de sensação de que vai ter um ataque cardíaco ou morrer. Esta última característica é o que faz com que frequentemente, quem tem um ataque de pânico vá a prontos- socorros, a hospitais gerais ou que insista em procurar clínicos gerais ou cardiologistas insistindo que há algo errado com o seu corpo.
Estes ataques em geral são curtos, mas podem ser extremamente intensos e desagradáveis para o indivíduo. O medo de ter um ataque de pânico, especialmente quando um deles ocorreu em locais em que seria difícil para o indivíduo escapar, obter ajuda ou que pudesse expor a pessoa a alguma situação vergonhosa pode levar a um quadro secundário chamado de agorafobia. Na agorafobia, a pessoa passa a evitar ambientes com estas características ou passa a frequentá-los somente acompanhado por alguém em quem a pessoa confie. Exemplos comuns de agorafobia incluem pessoas que deixam de pegar ônibus ou metrô, que não conseguem ir a shoppings, supermercados, igrejas, etc. O transtorno do pânico, especialmente quando acompanhado pela agorafobia, pode levar a importante incapacitação da pessoa, já que ela pode deixar de ir ao trabalho ou à escola ou às suas atividades de lazer.
O transtorno do pânico é tratado com medicamentos ou psicoterapia, isoladamente ou em conjunto. As medicações para o transtorno do pânico incluem os antidepressivos, especialmente a s medicações mais modernas (da classe dos chamados inibidores seletivos da recaptação da serotonina) e de ansiolíticos (ou calmantes). Enquanto os ansiolíticos aliviam os sintomas, os antidepressivos é que tratam realmente os desequilíbrios nos neurotransmissores que estão relacionados à doença.
Como uma mensagem final, é importante que os portadores de transtorno do pânico sejam encaminhados o mais rápido possível para tratamento, antes do desenvolvimento da agorafobia ou dos prejuízos que a doença possa causar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Evento "Os hormônios, os neurônios e a mulher"

No próximo dia 27 e 28 de maio estarei em Porto Alegre para participar do Evento "Os hormônios, os neurônios e a mulher" promovido pela Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul na sede da Associação Médica do Rio grande do Sul (AMRIGS). Estarei participando como conferencista na palestra "O Blues, a Depressão e a Psicose Puerperal" e na mesa redonda com o tema "Transtorno Disfórico Pré-menstrual." As inscrições podem ser feitas pelo site da SOGIRGS www.sogirgs.org.br.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Evento para profissionais de saúde


Este é um evento destinado a profissionais de saúde a ser realizado na próxima quarta (dia 30 de março) na UNIFESP. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone (11) 5084-1137.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Exames complementares em Psiquiatria

Frequentemente, no dia-a-dia do consultório observamos duas atitudes dos pacientes em relação à realização de exames complementares (exames laboratoriais, de neuroimagem, etc). A primeira é de surpresa. Muitas pessoas não esperam que o psiquiatra, à semelhança de médicos que atuam em outros ramos da medicina, solicitem exames. A segunda é exatamente o contrário. Alguns pacientes duvidam de um diagnóstico psiquiátrico que não aparece em nenhuma tomografia ou ressonância magnética da cabeça. A verdade é que as doenças psiquiátricas são associada a alterações cerebrais, mas essas alterações são, na grande maioria dos casos, tão sutis, que os métodos de neuroimagem utilizados na prática comum não consegue detectá-las. O diagnóstico de depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia ou transtorno do pânico continua, sim, sendo clínico, ou seja, ele é feito a partir da detecção de um conjunto de sinais e sintomas. Muitas vezes, em uma primiera consulta não é possível se ter certeza de que a pessoa apresenta todos os sintomas característicos de um determinado quadro psiquiátrico, mas o psiquiatra consegue já iniciar um tratamento a partir de uma hipótese diagnóstica a ser confirmada posteriormente. Os exames são necessários, no entanto, para descartar que alterações emocionais possam estar sendo causadas por alguma doença não detectada até aquele momento. Um exemplo disso são as alterações de tireóide, que, com frequência, estão associadas a quadros depressivos. No decorrer do tratamento, se é utilizada alguma medicação, o médico também poderá pedir exames para monitorar a função do fígado ou dos rins.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Atenção: cuidado com a sibutramina

Depois que a Agência Europeia de Medicamentos recomendou a proibição da venda de sibutramina – uma das drogas mais usadas para emagrecimento –, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu enviar um alerta a médicos e farmacêuticos brasileiros sobre o tema.

A decisão do comitê europeu foi baseada em um estudo realizado com 10 mil pacientes que mostrou aumento de 16% na incidência de infarto e derrame em pessoas com histórico de problemas cardíacos que tomaram o medicamento. Para a Emea, portanto, os riscos da substância são maiores do que os benefícios. Também com base nesse estudo, a Food and Drug Administration (agência que regula medicamentos nos Estados Unidos) decidiu que deverá ser incluída na bula uma contraindicação para pacientes com cardiopatias.

No Brasil, embora a bula do medicamento já mencione como possíveis eventos adversos a elevação da pressão arterial e arritmias cardíacas, a única contraindicação é para pessoas com histórico de anorexia.

No ano passado, a Anvisa recebeu 37 notificações de eventos adversos do uso de sibutramina – 14 relacionadas a problemas cardiovasculares. Não houve mortes.

Segundo o presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, haverá em fevereiro uma reunião da Câmara Técnica de Medicamentos para analisar os resultados desse estudo e decidir qual atitude tomar.

Esse alerta só reforça a necessidade do acompanhamento médico rigoroso no uso dessa medicação.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eletrochoque: porque um tratamento tão efetivo é tão combatido?

A eletroconvulsoterapia (também conhecida como ECT) consiste na aplicação de uma corrente elétrica na região das têmporas, sob condições de anestesia (com o paciente dormindo e sem sentir nada). É sabidamente um dos tratamentos mais eficazes da psiquiatria para depressões muito graves, no transtorno bipolar e na esquizofrenia, e também tem uma indicação naqueles casos em que, por algum motivo, o paciente não pode fazer uso de medicamentos, como na gravidez. É interessante que, esse método, permanece no imaginário de algumas pessoas não como um método de tratamento, mas como um método de tortura, como se fosse um tratamento cruel ou desumano. Acho interessante que, a maioria das pessoas que criticam o ECT nunca presenciou uma sessão de ECT e muitas vezes, sequer conversou com um paciente ou com um familiar de paciente que tenha sido submetido a esse método. Recentemente o programa "Profissão Repórter" exibiu uma sessão de ECT, o que foi muito esclarecedor pra muita gente. Depois do programa, algumas pessoas que não são médicas, vieram comentar comigo o assunto, sempre com aquele teor de"Nossa! Tanto barulho por uma coisa tão simples!". O que acaba acontecendo, sempre que o preconceito ocupa o lugar da ciência, é que a controvérsia acaba tomando uma cara muito mais política e econômica do que propriamente médica. O que acontece com a ECT é que ela não faz parte da tabela do SUS. E o que isso quer dizer? Quer dizer que se o hospital quiser oferecer o ECT para os seus pacientes, ele vai ter que arcar com todos os custos, sem receber absolutamente nada por isso. O que acaba acontecendo é que somente hospitais universitários, que tem interesse em oferecer formação em ECT aos seus residentes ou que sejam de serviços de ponta possuem preparo e aparelhagem para ECT. E, o que é mais grave. A grande maioria dos hospitais com esse perfil estão concentrados nas regiões sul e sudeste, deixando uma grande parte da população desassistida. E, justamente, uma parcela da população que é portadora de quadros psiquiátricos graves. Está na hora da sociedade refletir sobre o que precisa ser feito para proteger as pessoas que são portadoras de transtornos mentais e oferecer a elas o melhor tratamento possível para o seu caso. Esse é um direito fundamental de todo o ser humano.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O direito de não usar drogas

Recentemente, divulgou-se a opinião sobre o futuro da política de drogas no Brasil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defende maior liberdade de uso da maconha. Fernando Henrique disse que um mundo sem drogas é inimaginável, expressando a visão da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia. Ao alegar que a sociedade conviverá sempre com as drogas, defende com uma clara distorção da racionalidade a ideia de que isso deveria tornar os usuários imunes ao sistema criminal. Teríamos uma inovação na área dos direitos humanos, na qual todos nós deveríamos ter o direito de continuar usando drogas ilícitas, independentemente das consequências negativas para o indivíduo e para a sociedade. Por essa visão, seria um abuso dos direitos individuais qualquer constrangimento ao uso de drogas.
No Brasil, a lei que regula o consumo de substâncias (Lei nº 11.343/2006) trouxe mudanças significativas, com menor rigor penal para o usuário. Ainda não se sabe se produziu alguma diminuição do consumo de drogas. Todas as evidências indicam o contrário. Em relação à maconha e à cocaína, somos um dos poucos países do mundo onde o consumo está aumentando. No mínimo, essa nova lei não impediu esse aumento. Estamos com maior liberdade para usar drogas, mas os usuários continuam tão desinformados e desassistidos de tratamento quanto antes.A defesa do direito ao uso de drogas é uma visão por demais simplista e não leva em consideração a complexidade do uso de substâncias, em particular as modificações que o uso de drogas provoca no sistema nervoso central. Parte-se do princípio de que todos os usuários de drogas teriam plenas capacidades de decidir sobre o seu consumo. Não podemos afirmar que todos os que usam drogas estejam comprometidos quanto ao seu julgamento, mas podemos argumentar que uma parte significativa dos usuários apresenta diminuição de sua capacidade de tomar decisões.As drogas que produzem dependência alteram a capacidade de escolher quando, quanto e onde usar. É ilusório pensar que um dependente químico tenha total liberdade sobre o seu comportamento e possa decidir plenamente sobre a interrupção do uso. É por isso que os dependentes persistem no comportamento, com grandes prejuízos individuais, para sua família e para a sociedade.Se, por um lado, a opinião de Fernando Henrique carece de legitimidade com relação aos direitos humanos básicos, pois não existe um direito ao uso de drogas ilícitas, por outro, temos aspectos do debate que não foram mencionados. Por exemplo: existe uma relação entre saúde e direitos humanos. As Nações Unidas e a Organização Mundial da Saúde desenvolveram recentemente o conceito de que todos deveriam ter o direito ao mais alto padrão de saúde possível (right to the highest attainable standard of health). É um conceito relativamente novo, com não mais de dez anos. Afasta-se de declarações vagas sobre saúde e responsabiliza a sociedade e o sistema de saúde pela implementação de políticas que garantam a qualidade dos cuidados.Recentemente o Estado de São Paulo deu um bom exemplo de garantia do mais alto padrão de saúde possível ao proibir o fumo em todos os ambientes fechados. O que se garantiu nessa nova lei não foi o direito de fumar, mas o direito de a maioria da população ser preservada do dano da fumaça. Mesmo os fumantes têm o seu direito a um mais alto padrão de saúde garantido ao ser estimulado a fumar menos. Esse foi um exemplo de como é possível termos intervenções governamentais que preservem o direito à saúde e ao mesmo tempo sinalizem uma intolerância ao consumo de uma droga que mata um número substancial de cidadãos.Experiências de sucesso em outros países apontam na direção de combinar estratégias, do setor de Justiça com o setor educacional e de saúde, para que se obtenham melhores resultados. Leis que sejam respeitadas e fiscalizadas tendo como objetivo o bem comum. A Lei Seca, que proíbe o beber e dirigir, identifica o indivíduo e impõe sanções, também pode ser um exemplo, pelo número de vidas salvas até o momento. O fato de se criar uma intolerância com o fumar ou com o beber e dirigir em nenhum momento produziu desrespeito aos cidadãos que fumam ou bebem.No Brasil não temos uma política de prevenção do uso de drogas. Deixamos os milhões de crianças e adolescentes absolutamente sem nenhum tipo de orientação sobre prevenção do uso de substâncias. Fornecemos muito mais informações sobre o meio ambiente do que com os cuidados de saúde. Temos uma boa política de prevenção ambiental, mas não temos com relação às drogas. Não temos um sistema de tratamento compatível com a magnitude do problema, deixando milhares de usuários completamente desassistidos.O tema proposto por Fernando Henrique Cardoso é importante, traz a oportunidade de debatermos que tipo de política construir para a próxima geração. Queremos uma sociedade em que o uso de drogas seja um direito adquirido? Ou queremos uma sociedade muito mais ativa, em que o sistema de Justiça funcione em sintonia com os sistemas de saúde e educacional e possamos criar ações baseadas em evidências científicas para diminuir o custo social das drogas?Talvez um mundo sem drogas jamais exista. Como também não existirá um mundo sem crimes ambientais ou sem violações dos direitos humanos. Isso, no entanto, não é desculpa para descartar o ideal e continuar a lutar pelo objetivo de um mundo melhor. Tolerar as drogas, banalizar o seu consumo não é a melhor opção para uma sociedade que valorize a saúde e os melhores valores de respeito à dignidade humana.

Ronaldo Laranjeira, professor titular de Psiquiatria da Unifesp, é coordenador do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas (Inpad) do CNPq.

PS: Esse artigo foi originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo no dia 28.09.09.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Posso usar um genérico?

Essa pergunta é repetida quase que diariamente no meu consultório, o que é , até certo ponto surpreendente, considerando-se o tempo em que os genéricos estão sendo comercializados. Para que a gente esclareça bem essa questão, é preciso distinguir três categorias de medicamentos: os genéricos, os similares e os medicamentos de referência. Os genéricos são aqueles medicamentos que contém o mesmo fármaco (pincípio ativo), na mesma dose e forma farmacêutica do medicamento de referência no país. O Ministério da Saúde através da ANVISA, avalia os testes de bioequivalência entre o genérico e seu medicamento de referência, apresentados pelos fabricantes, para comprovação da sua qualidade. Os similares são medicamentos que possuem o mesmo fármaco, a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência (ou marca), mas não têm sua bioequivalência com o medicamento de referência comprovada. Já os medicamentos de referência são, normalmente, medicamentos inovadores, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente. São os medicamentos que, geralmente, se encontram há bastante tempo no mercado e tem uma marca comercial conhecida. Assim, se você quiser, poderá, sim usar um medicamento genérico, pois o efeito tende a ser o mesmo.

Para obter uma lista completa de medicamentos genéricos procure o site da ANVISA: www.anvisa.gov.br

Participando de pesquisas em psiquiatria

Recentemente a imprensa divulgou que o vice-presidente José Alencar está fazendo uso de um medicamento experimental para o tratamento do câncer contra o qual vem lutando. Se você é portador de alguma doença psiquiátrica, você pode, em algum momento, ser convidado para utilizar algum tratamento experimental ou para fazer parte de alguma pesquisa médica. Algumas vezes esse tipo de situação gera na pessoa uma reação imediata de repulsa, com aquela ideia de que o tratamento nesse contexto envolveria transformar a pessoa em "cobaia" ou algo do gênero. O que acontece, na prática, é que a medicina ainda apresenta inúmeras lacunas no conhecimento e isso faz com que, muitas vezes, o médico e o paciente tenham que tomar decisões importantíssimas com uma frágil base científica para isso. O conhecimento só virá com o estudo de mais e mais pacientes portadores de determinadas condições. Para garantir o bem estar das pessoas que participam de estudos de pesquisa, existem uma série de princípios éticos que governam os estudos e diversas normas e diretrizes das instituições de pesquisa (geralmente feitas em universidades). Por exemplo, a participação em pesquisas sempre é espontânea e o sujeito de pesquisa só participará de um estudo depois de fornecer um termo de consentimento por escrito aos pesquisadores.

Quando é a hora de participar de um estudo de pesquisa?

No caso do vice-presidente a sua participação iniciou após a constatação de que as medicações mais estudadas não estavam tendo um efeito terapêutico importante. Esse é um momento em que você pode pensar em participar de um protocolo experimental, pois o tratamento em estudo pode ser até mais eficaz que o tradicional. Outra possibilidade de participação é quando determinados recursos terapêuticos que você acha que podem ser interessantes para você estão sendo testados, como abordagens em grupo, técnicas de psicoterapia ou tratamentos ditos "naturais ou alternativos". Além disso, algumas vezes, procedimentos diagnósticos podem estar sendo estudados no local em que você é atendido, como exames de neuroimagem, exames de sangue ou testes neuropsicológicos.

A presença de atividades de pesquisa em uma instituição e o envolvimento da esquipe que atende você com pesquisa costuma ser um excelente indício de qualidade no tratamento. Ela indica uma preocupação com a geração de novos conhecimentos e uma busca constante pelo oferecimento da melhor assistência possível ao paciente.

Então, se chegar até você a possibilidade de participar de uma pesquisa, pense com carinho, pois você pode estar contribuindo não só com o seu processo de diagnóstico e tratamento, mas com todas as pessoas que sofrem do mesmo problema que você.

Antidepressivos e menopausa

Bom, já que estamos falando dos problemas que afetam as mulheres, uma outra grande preocupação daquelas que estão na faixa dos 40 a 50 anos são aqueles desconfortáveis "calorões" que a menopausa traz. Até alguns anos, os ginecologistas tinham como prática corriqueira a prescrição de hormônios, o que aliviava muitos esses sintomas. Com o surgimento de estudos que relacionavam a reposição hormonal a um pequeno aumento do risco de câncer de mama, muitos ginecologistas se tornaram bem menos liberais no momento de prescrever hormônios. O que nem todo mundo sabe é que medicamentos com efeito antidepressivo podem aliviar os desagradáveis fogachos. Um desses medicamentos é o Pristiq, um novo antidepressivo produzido pela Whyet e outro é o Equilid, produzido pela Merrell Lepetit. Ambos tem uma baixa incidência de efeitos adversos e podem melhorar os fogachos sem afetarem o risco de câncer.

TPM acentuada pode ser doença

As mulheres são um bicho esquisito mesmo. Todo o mês as coitadas tem o seu organismo submetido a uma grande variação hormonal e, muitas vezes, à uma importante variação de humor também. Os hormônios produzidos pelos ovários são de dois tipos principais: o estrógeno e a progesterona. O estrógeno predomina na primeira fase do ciclo (os primeiros 14 ou 15 dias após a menstruação) e a progesterona predomina na segunda fase do ciclo (os 14 dias anteriores à menstruação), após a ovulação. Esses hormônios apresentam a característica de passarem muito facilmente para o cérebro e lá influenciam diversos circuitos responsáveis pela regulação do humor, do sono e da energia. Os hormônios que inundam os neurônios também atravessam facilmente essas células, entram no seu núcleo e atuam diretamente no DNA funcionando como um sinal para o neurônio produzir substâncias variadas, como os neurotransmissores. A segunda fase do ciclo comumente é marcada por uma leve irritabilidade, tendência ao choro ou maior sensibilidade a acontecimentos ambientais. Esse fenômeno, que os maridos conhecem tão bem, em algumas mulheres é muito exagerado. São aqueles casos em que a TPM é tão forte que a mulher fica muito irritada, "arruma" brigas, fica ansiosa, não dorme, come um pouco a mais (ou fica com uma certa tendência a preferir um "chocolatinho" à sua alimentação usual) e chora até em propaganda de TV. Além de causar desconforto, esse tipo de situação pode levar a prejuízo nas relações familiares, amorosas e profissionais, dando à mulher aquela sensação de que "nem ela mesma se aguenta". Uma variação leve de humor no período pré-mentrual é normal e esperada, mas quando esta fase passa a representar um sofrimento para a mulher e para os que convivem com ela, alguma coisa está errada. Essa situação é classificada pela psiquiatria com o nome Transtorno Disfórico Pré-Menstrual. Quando isso acontece vale à pena consultar um psiquitra ou um ginecologista, pois existem alternativas medicamentosas que podem melhorar bastante o quadro. Os maridos agradecem...e também os filhos, colegas, clientes, amigos, irmãos, chefes, alunos....

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pare de fumar!

Pois é... nessa sexta-feira entra em vigor mais uma medida para dificultar a vida dos fumantes, a proibição do fumo em bares e restaurantes (mesmo em áreas abertas). O cerco aperta mas persiste uma questão interessante. Por que, com toda a informação disponível sobre os malefícios do cigarro, as pessoas continuam fumando? Vou expôr aqui algumas evidências da literatura médica, mas, é claro, existem diversas outras. Uma delas é o que chamamos de modelagem. Modelagem é a cópia de um comportamento, um tipo de aprendizado muito importante no desenvolvimento humano. Assim, desde pequenininhos repetimos comportamentos dos nossos pais, professores, amigos, irmãos, sem que precisemos necessariamente entender o porquê desse comportamento. É claro que, se presenciarmos pais ou amigos fumando, a chance de que experimentemos o cigarro é maior e ninguém se torna dependente de algo que nunca tenha experimentado. Em segundo lugar, entram as crenças a respeito do cigarro (e isso vale para álcool e drogas também) que se desenvolvem na nossa cabeça, também desde a infância e adolescência. Se uma pessoa cresce com a ideia de que o cigarro é perigoso e pode matá-la a chance de desenvolver uma dependência à nicotina diminui. Em terceiro lugar entram as características próprias de personalidade e temperamento de cada um, especialmente no que se refere à impulsividade. Algumas pessoas gostam de novidades, buscam mais o prazer que outras e tendem a ter menos medo das consequencias nocivas de determinadas ações. Por fim, depois que a pessoa experimentou, existe uma série de fatores que mantém essa dependência, como prazer que o cigarro dá à pessoa, uma ideia de que o cigarro vai aplacar emoções negativas, como a ansiedade ou a tristeza ou mesmo fatores genéticos que determinam, pelo menos em parte, a dificuldade de parar de fumar.

Mas, atenção! Se você quer parar, existem saídas. Existem medicamentos desenvolvidos originalmente como antidepressivos que facilitam a retirada do cigarro, bem como os adesivos e a goma de nicotina que diminuem a sensação de abstinência dessa substância. A tudo isso, podem ser agregadas diversas formas de intervenção psico-social, como terapia individual ou em grupo.

Portanto, se você está com medo de pagar multa no restaurante ou está tendo que escapar pra um cantinho pra fumar, pense seriamente em procurar ajuda e buscar algum dos recursos que a ciência oferece pra você pra se livrar do cigarro. Até hoje não conheci ninguém que se arrependeu de parar de fumar.

Déficit de atenção e hiperatividade

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma doença neurodesenvolvimental que surge durante a infância. Caracteriza-se por dificuldades atencionais, impulsividade e hiperatividade. É uma doença comum e que pode atingir de 1 a 6% da população adulta. Em geral, na história de adultos com TDAH, existem dificuldades detectadas já na escola, como problemas em manter a atenção, em permanecer sentado na cadeira durante uma aula ou em manter o auto-controle. Os boletins escolares costumam ser recheados de adjetivos, como "dispersivo", "distraído", "conversador", "desconcentrado", etc. Já na vida adulta, os portadores de TDAH podem notar em si mesmos uma grande dificuldade em finalizar projetos, em persistir nas tarefas que não lhe parecem desafiadoras, em lembrar de compromissos, em executar tarefas que exigem organização ou em realizar tarefas repetitivas. Esses indivíduos perdem suas coisas, se distraem facilmente, às vezes com um pequeno ruído e, algumas vezes, sentem-se "no mundo da lua". Eles podem, também, serem impulsivos. Terminam as frases pelos outros, interrompem outras pessoas quando estas estão ocupadas, falam muito em situações sociais e tem dificuldade em esperar sua vez. Também podem ser muito inquietos, com dificuldade de relaxar ou de permanecerem sentados. É claro que esses sintomas nem sempre representam um TDAH, podendo estar presentes em outros transtornos ou se deverem a situações específicas que a pessoa esteja vivenciando naquele momento.
Porém, caso seja determinado que a pessoa apresenta TDAH, o tratamento (seja com medicação, seja com psicoterapia ou com os dois juntos) deve ser indicado e realizado, pois pode melhorar bastante o funcionamento do indivíduo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que é bullying?

A palavra Bullying é um termo que ainda não tem uma tradução uniformemente aceita para o português, mas significa ameaça ou intimidação. Ela se refere a uma situação comum nas escolas, e envolve as situações em que um aluno sofre por atitudes agressivas intencionais e repetitivas, com o objetivo de intimidá-lo ou ridicularizá-lo. A criança ou o adolescente pode ser vítima de piadas, gracinhas, comentários maldosos e apelidos humilhantes.
O primeiro a estudar este fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade de Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes, Olweus descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de bullying.
O Bullying é um problema mundial, é encontrado em qualquer tipo de escola, não se restringindo a um tipo especifico de instituição. Até alguns anos, os pais e as escolas não davam muita atenção para esse tipo de problema, geralmente porque achavam as ofensas bobas demais para terem maiores conseqüências.
Os indivíduos que perpetram o bullying costumam ter dificuldade em estabelecer empatia, frequentemente pertencem a famílias desestruturadas ou com pouca demonstração de afeto entre seus membros. Seus pais exercem uma supervisão pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo para solucionar conflitos, comportamento agressivo ou explosivo. Se essas crianças não tiverem um limite para suas atitudes cruéis, podem via a adotarem comportamentos anti-sociais e violentos, podendo vir a ter atitudes delinquentes.
Os alvos são pessoas ou grupos que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si. São, geralmente, pouco sociáveis. Um forte sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda. São pessoas sem esperança quanto às possibilidades de se adequarem ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem ser merecedores do que lhes é imposto. Têm poucos amigos, são passivos, quietos e não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter baixo desempenho escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Trocam de colégio com freqüência, ou abandonam os estudos. Há jovens, que por extrema depressão acabam tentando ou cometendo o suicídio.
As testemunhas, representadas pela grande maioria dos alunos, convivem com a violência e se calam em razão do temor de se tornarem as "próximas vítimas".
As medidas adotadas pela escola para o controle do bullying, se bem aplicadas e envolvendo toda a comunidade escolar, contribuirão positivamente para a formação de uma cultura de não-violência na sociedade. É uma iniciativa ao grupo de alunos que adotam contra um ou vários colegas, em situação desigual de poder, causando intimidação, medo e dificuldades psicológicas aos outros. Elas tem como objetivo conscientizar os alunos a respeitar as diferenças, evitando a queda no desempenho escolar, isolamento, abandono dos estudos e baixa auto-estima. Os pais também podem evitá-lo contendo e dando limite aos comportamentos violentos dos seus filhos e mantendo sempre um ambiente afetivo e aberto em casa.

sábado, 18 de julho de 2009

Recomendo este livro...

Gostaria de recomendar o livro "À espera do sol", de Michael Greenberg. Este livro conta a história real de Sally, que é filha do autor. A então adolescente de 15 anos apresentou um episódio de mania grave com psicose que se inica pelas ruas de Nova Yorque e se prolonga pelos meses seguintes. O autor conta de uma maneira muito sensível e delicada a história da doença da filha e fala sobre seus efeitos na família e na própria maneira de ver a doença, o mundo e a sua própria história. Junto com a história de Sally e de sua família, o pai apresenta outros personagens, como a equipe que trata da menina, um irmão doente e problemático, um paciente judeu ortodoxo e um professor maníaco. É uma narrativa muito bonita, que fornece informações sobre a doença mas que também fala do impacto dela em quem está no turbilhão de emoções que envolve o diagnóstico de uma doença séria. Fiquei muito impressionada com o livro. recomendo!